Elytrosphaera sp., foto: Frederico Salles
O Instituto Nacional de Coleoptera (INCol) reúne pesquisadores, coleções científicas e instituições de todo o Brasil em uma rede dedicada ao estudo, à conservação e à aplicação do conhecimento sobre besouros. Criado para fortalecer a pesquisa em um dos grupos mais diversos do planeta, o INCol integra esforços nacionais e internacionais para ampliar a capacidade científica do país e fomentar soluções inovadoras baseadas na biodiversidade.
A rede é composta por especialistas de diferentes áreas de atuação, conectados pelo compromisso de ampliar o conhecimento sobre Coleoptera, reduzir desigualdades históricas na formação de recursos humanos e impulsionar avanços em taxonomia, ecologia, conservação e temas de relevância econômica.
A partir dessa atuação integrada, o INCol nasce com o propósito de qualificar a identificação das espécies registradas para o Brasil, desenvolver soluções estratégicas para o manejo de pragas, contribuir com a conservação de habitats e promover o uso sustentável da biodiversidade.
Por que um Instituto Nacional de Coleoptera?
O Brasil abriga uma das maiores diversidades de besouros do mundo, mas ainda enfrenta grandes lacunas em:
- identificação de espécies, especialmente em grupos megadiversos;
- infraestrutura de coleções zoológicas;
- formação de taxonomistas e ecólogos;
- integração entre pesquisa básica e demandas aplicadas;
- entendimento ecológico e biogeográfico da fauna nacional;
- respostas rápidas para monitoramento ambiental e manejo de pragas.
Os besouros desempenham papeis essenciais nos ecossistemas, ajudando a decompor matéria orgânica, contribuindo para a ciclagem de nutrientes, participando do controle natural de pragas, atuando como polinizadores em diversos grupos de plantas e modificando o ambiente de formas que beneficiam inúmeras outras espécies. Além desses papeis ecológicos, muitos grupos de Coleoptera têm impacto direto em atividades agrícolas, florestais e em estratégias de conservação.
Apesar dessa importância, o Brasil ainda enfrenta grandes lacunas no conhecimento e na infraestrutura necessária para estudar sua enorme diversidade de besouros. Faltam identificações atualizadas, especialistas formados em vários grupos, coleções fortalecidas, métodos aplicados de monitoramento e integração entre pesquisa básica e demandas sociais e produtivas.
O INCol foi criado para enfrentar esses desafios de forma articulada. A iniciativa fortalece o protagonismo científico do Brasil no estudo dos Coleoptera, amplia a capacidade de resposta a questões ambientais e produtivas e promove o avanço de estudos fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas e para o desenvolvimento sustentável em diferentes setores.
Rutella lineola, foto: Conrad P.D.T. Gillet
Missão
A missão do INCol é consolidar uma rede nacional de especialistas em Coleoptera capaz de produzir ciência de excelência, aplicar conhecimento em contextos ambientais e produtivos, formar pesquisadores e promover ações integradas para o estudo e conservação dos besouros.
Eixos de Atuação
A pesquisa do INCol está organizada em três grandes eixos complementares, que conectam ciência básica, inovação e soluções aplicadas para ampliar o conhecimento sobre os Coleoptera e fortalecer sua importância ecológica e econômica no país.
Taxonomia
O primeiro eixo busca ampliar a capacidade brasileira de identificar todos os grupos de Coleoptera, fortalecendo a curadoria e a expansão das coleções científicas, integrando bases de dados como o Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB) e incorporando tecnologias como fotografia de alta resolução e sistemas de inteligência artificial para acelerar descrições e revisões taxonômicas.
Ecologia e Conservação
O segundo eixo concentra-se em desenvolver e aprimorar métodos para utilização de besouros como indicadores ambientais, ampliando o número de grupos bioindicadores estudados e produzindo conhecimento que apoie políticas públicas, avaliações de impacto, conservação de habitats e a manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais.
Interesse Econômico
O terceiro eixo organiza uma rede nacional de especialistas capaz de oferecer identificações rápidas para espécies de importância econômica, como pragas, inimigos naturais e engenheiros ambientais. Esse eixo também implementa um hub de solicitações de identificação e contribui para estratégias de manejo integrado, políticas agrícolas e práticas produtivas sustentáveis.
Chalcolepidius sp., foto: Conrad P.D.T. Gillet
Objetivo
O INCol busca elevar o conhecimento sobre os besouros do Brasil a um novo patamar científico e aplicado, fortalecendo a capacidade nacional de compreender, monitorar e utilizar a biodiversidade de forma sustentável em benefício da sociedade e dos ecossistemas.
Para isso, o instituto atua:
- na formação de taxonomistas, ecólogos e conservacionistas, ampliando a qualificação em grupos megadiversos e pouco estudados;
- no fortalecimento das coleções científicas brasileiras, com melhoria da curadoria, da infraestrutura e dos processos de identificação;
- na repatriação digital de material-tipo depositado em coleções estrangeiras, com uso de imagens de alta resolução;
- na integração de pesquisadores de diferentes regiões por meio de redes colaborativas, reuniões científicas e intercâmbios;
- na produção de revisões, sínteses e artigos científicos, estimulando avanços em taxonomia, ecologia, bioindicação e temas de interesse econômico;
- na atualização e expansão de bases de dados nacionais, como o Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB) e o SiBBr;
- na valoração dos serviços ecossistêmicos prestados pelos coleópteros, com foco em sistemas naturais e produtivos;
- e no desenvolvimento de materiais de identificação e planos de conservação para grupos relevantes do ponto de vista ecológico e econômico.
Sternechus candidus, foto: Frederico Salles
Rede de Pesquisadores e Instituições
O INCol reúne:
- mais de 70 pesquisadores
- 5 membros do comitê gestor
- 5 membros do comitê consultivo internacional
- Cerca de 40 curadores de coleções zoológicas (30 no Brasil)
- 50 instituições parceiras, sendo 40 nacionais (em 17 estados brasileiros) e 10 estrangeiras
Essa diversidade assegura um ambiente interdisciplinar, plural e estrategicamente distribuído, capaz de responder a desafios científicos, ambientais e econômicos.
Para conhecer cada integrante da rede e suas áreas de atuação, acesse: